"Mundos vão colidir". A frase de impacto que estampa a
contracapa de "EA Sports MMA" não é apenas uma metáfora para
impressionar: de fato, o novo título da Electronic Arts encara a
franquia "UFC" da THQ, tida como referência na área. Porém, a
gigante do mercado de games entrou de cabeça no mundo das lutas
mais violentas do mundo dos esportes e consegue divertir um
bocado.
O primeiro passo para ir em direção à vitória foi utilizar um
sistema de jogo muito bom, porém subutilizado: o da série de boxe
"Fight Night". Assim, a alavanca esquerda controla o lutador e a
direita os seus golpes, como socos e chutes. Com os botões de ombro
o lutador modifica o golpe, passando para golpes na linha, chutes e
defesa. Com os botões de face é possível fazer golpes de agarrar,
derrubar e submissão. Há também a opção de usar os botões frontais,
mas ao usá-los o espírito de simulador se perde.
As variações para os golpes de agarrar podem ser feitos com
enforcamentos ou deslocamento de membros. Na primeira opção, é
necessário que o jogador encontre o ponto exato em um círculo que
aparece na tela usando a alavanca esquerda, já os deslocamentos
podem ser feitos apertando o botão de submissão em intervalos
regulares para manter a resistência do lutador - ficar pressionando
freneticamente não funciona. Claro que a EA Sports pensou usar os
botões de face para dar socos e chutes, mas dessa forma a variação
de golpes fica bastante reduzida e acaba com a experiência de estar
jogando um simulador de Vale Tudo.
O modo de carreira de "MMA" serve para duas coisas. A primeira é
mais evidente e ensina ao jogador todas as minúcias do controle,
inclusive como fazer combos, praticar a defesa e fazer os golpes
especiais. A segunda é para dar um propósito para jogar sozinho, já
que não existe um modo "Arcade", mas apenas a opção de fazer lutas
simples ou online.
Da mesma forma que "Fight Night", a carreira permite que o jogador
crie um lutador para enfrentar as maiores lendas dos campeonatos do
gênero. O processo de personalização é bem amplo, permitindo usar
fotos do jogador para criar o rosto do astro dos ringues ou
utilizar um dos 50 rostos pré-configurados. Claro que perfumarias
como a escolha de músicas, roupas, tatuagens também estão presentes
para agradar os fanáticos pelo esporte.
O processo é bem detalhado e inclui também o estilo de arte marcial
do lutador. São nove opções que incluem judô, kick boxing, muay
thay e o clássico jiu jitsu. Cada arte marcial tem atributos
iniciais diferentes que ditam a especialidade do combatente. Caso
escolha judô, os golpes de arremessos são mais poderosos, já com
boxe os socos e ganchos são as armas para nocautear os adversários.
A especialização inicial serve apenas para dar um pontapé na vida
dentro dos ringues, pois durante o modo de carreira o jogador pode
aprender golpes de outras artes marciais para desenvolver o seu
personagem.
Hora do quebra-pau
Por mais variadas que sejam as artes da briga, existe um problema
que chama atenção: dentro do ringue todos os lutadores parecem ter
o mesmo estilo de luta, pois os golpes são desferidos com a mesma
animação, o que muda é a efetividade dos golpes. É difícil
acreditar que os socos, chutes, arremessos e cotoveladas de um
lutador de wrestling sejam idênticos ao de um kick boxer - mas em
"MMA" são. Isso desencoraja criar um novo lutador, pois no final o
que muda é apenas o rosto e os atributos físicos.
Entre cada luta existe um intervalo de oito semanas virtuais que
é usado para treinar e melhorar as habilidades do lutador. Os
treinos vão desde o simples movimento pelo ringue até combinações
de golpes que podem ser usados na hora do "vamos ver".
Depois de criado, o lutador virtual passa por diversas ligas que
existem na vida real, como o Strikeforce, dos EUA. Cada campeonato
tem suas regras próprias, variando, por exemplo, a quantidade de
rounds e golpes válidos. Independente da liga, os combates são
bastante violentos, com socos que abrem feridas nos lutadores. Nos
primeiros passos os oponentes controlados pelo computador são
fáceis de serem derrotados, mas a dificuldade vai aumentando
conforme seu guerreiro ganha cinturões.
Entretanto, a Electronic Arts continua pisando na bola nos mesmos
erros da série "Fight Night". Os combates, por exemplo, podem ser
resolvidos com um belo golpe de sorte, acertando em cheio o rosto
desprotegido do oponente, não importa se o adversário estiver nas
últimas, sendo dominado e sem energia. Basta acertar o golpe para o
jogo virar e a luta acabar de uma hora para outra. Isso pode soar
realista, mas não é o que os indicadores de vida e energia indicam,
transmitindo uma falsa segurança de que tudo está sob
controle.
Sangue online
Os modos online são bem interessantes e ainda mais satisfatórios do
que o modo de carreira, tendo em vista que os lutadores controlados
por outros jogadores são muito mais imprevisíveis do que os
oponentes da inteligência artificial. O melhor é que os atrasos
praticamente não existem, o que é formidável para um jogo de luta -
claro que tudo depende da velocidade da conexão do
jogador.
O game bonifica os lutadores conforme a atuação na jaula, dando
mais pontos para o vencedor e valorizando os golpes que foram
desferidos e defendidos. Com esses pontos, o jogador vai ganhando
faixas e aumentando sua classificação na rede.
Além disso, é possível criar grupos de até 10 jogadores, sendo que
dois lutam e os outros assistem à transmissão do combate. As lutas
pelo campeonato têm data e hora marcadas e são transmitidas na
opção Broadcast e também no site oficial do jogo, o que torna o
título bem mais divertido.